Você está muito atrasado para o que deveria ser hoje.

Sempre escolheu fingir que não existiram dores suas. Que a realidade não era sua.

Sempre falou em terceira pessoa.

Como se você fosse outra pessoa.

Como se não fosse daqui.

Como se estivesse em outro tempo.

Como se não houvesse passado.

Como se tudo que fosse passado não estivesse presente.

Hoje, se você for o que deveria ter sido “ontem” é muito pouco para dar conta, de tanta coisa que ainda falta.

Eu estou neste hoje, hoje. Sentindo o que você não foi.

Você ficou assim, achando ser bom, ser igualzinho a você mesmo, antes. Que nem era tão bom assim.

Nem sei onde você estava neste tempo todo que não reparou-se.

Em que tempo você ficou-se assim em você, somente em si mesmo.

Vive esquecendo para adiar o futuro que precisava ser somente naquele do tempo que você sempre esteve ontem.

Atrasando. Atrasou. Adiou. Matou.

Adiou tanto que só sobrou um passado, onde vive mas nunca esteve.

Pertencimento ou o sentimento de pertencimento é a crença subjetiva numa origem comum que une distintos indivíduos.

Se nunca esteve, nunca foi, nunca será. Não és daqui

Para ser hoje, no mínimo atrasado para o que deveria ser.

Assim neste tempo, do futuro do pretérito do indicativo. Indicando que não é do presente, nem do futuro; que está situado no passado.

Parece que é onde “estamos” hoje.

Por responsabilidade destes situados que nos mantém quase sitiados nos pretéritos.

canta e escreve. Vive recolhendo detalhes para pensar — cantos, palavras dançam. Pensa e sente demais.

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