covidartmuseum Foto by @harrygrebdesign

Estamos num final de um ano que considero que foi mais difícil que o ano passado, no início da pandemia em 2020. Com tudo que 2020, foi.

Começamos o ano de 2021, com um assustador número de vidas perdidas, com medo, cansados e sem saber quando poderíamos voltar a fazer algum plano.

Depois do inverno, começamos a ter algum resultado da vacinação por aqui, mas com movimentos limitados e no meio do caminho. Ainda estamos estranhos, sem saber como voltar, sem saber como cumprimentar os outros quando chegamos e com os tais protocolos que roubam a naturalidade.

Meio on-line, meio presencial, no meio do caminho.

2021, foi e ainda está sendo um ano dificílimo e pesado, para mim.

Chegamos a primavera deste ano, e fica claro o resultado da vacinação ter caminhado, apesar do governo e dos negacionistas. Um novo normal está posto e com horizontes menos reduzidos, fica mais leve acordar.

Ainda acho tudo confuso. Parece que está quase normal, mas não está.

Não aguento mais ver lives, cansei de Podcast e não tenho claramente desejos de encontros maiores presenciais. Estou no meio do caminho.

Estamos esquisitos (melhor dizendo, estou) e não sei ainda, quem serei depois que tudo estiver “devidamente” controlado, talvez passado. Ninguém sabe “quando” será erradicada a transmissão do vírus, e o quê o mundo, de fato aprendeu com essa pandemia. Se é que aprendeu.

Enfim, estamos nessa travessia e como sempre pensei, viver não é só chegada, é o percurso.

E fiz uso deste percurso imposto, profundas reflexões e mudanças.

Me sinto sendo hoje, sendo o que devo ser hoje.

Inclua nisso o que posso ser e fazer dentro do possível, e dei muito sentido ao tempo, ao recolhimento, ao observar.

Cuidei do que era importante. Ainda há mais coisas importantes para seguir cuidando.

Já estamos correndo quase como antes, atrás de um mundo que não para de nos exigir que saibamos mais sobre coisas tantas vezes tão “desimportantes” e não faz o quê realmente tem que ser feito, agora.

Estou esquisita por tudo que a pandemia me fez viver e sentir, com um certo luto coletivo que não quero esquecer. Tenho até uma certa vergonha de celebrar qualquer coisa, com tantos órfãos e dores tão latentes ainda.

Também, estou cansada de tudo ser tão rápido, de nada perdurar — que seja um pouco, de tudo que fazemos ser tão descartável, de termos “escândalos” todos os dias, de tanta mentira virar realidade, do absurdo se torna aceitável. De nem dar tempo, de ver o que realmente é importante.

Estou cansada do mundo não ter deixado de ser o que é, ainda, que tivesse sido só um pouquinho.

E, de já estar de volta, quase como se nada tivesse acontecido.

No Brasil, particularmente me parece que temos a peculiaridade de fingir que nada aconteceu sempre, como se nunca tivesse havido dor alguma.

Não adianta fingir que não houve dor e que tudo já passou.

Negar é adiar toda cura, todo acerto do que pode ser melhor.

A pandemia ainda não passou, e especialmente seus ecos, sequer sabemos e o ouvimos-vos.

Honestamente, não sei o tamanho do que se passou, até agora.

Só saberei depois que conseguir enxergar o que ficou em mim, quando realmente passar.

Estou contida ainda, contudo bem maior por dentro nesta primavera.

E, não sei se quero que o verão seja “normal”, se eu estarei vivendo-o como se nada tivesse acontecido ou como se tudo já tivesse acabado.

Será que será bom festejar? O que devo festejar? Que passei pela pandemia e estou viva?

Não sei se é o suficiente para me fazer desejar um verão e um carnaval como antes.

Iguais não serão mais.

Não sei como ir à praia de novo, como vou olhar o mar, como marcar o Natal, como celebrarei a passagem de ano e se poderei estar no carnaval cantando as mesmas músicas que antes, tinham outro sentido.

Sinto-me desejosa por um outro novo verão.

canta e escreve. Vive recolhendo detalhes para pensar — cantos, palavras sentem e dançam. www.linktr.ee/vaniaabreuoficial

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