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Série Aedos. Texto 6. Ser Aedo.

Sigo com a série Aedos que curiosamente, ainda não despertara em ninguém, uma pergunta ou curiosidade sobre o por quê da escolha deste nome e o quê ele significa. Vou trazer um "pouquinho de nada", tipo uma "pitada de sal" sobre este "nome" que desperta tanto estudo, até hoje nas academias e ganhou lugar definitivo nas minhas referências.

Ser aedo na Grécia Antiga era ter o papel de compor e cantar[i], acompanhado de seu instrumento de corda, a phórminx, poemas de caráter épico. A própria etimologia da palavra nos demonstra o ofício iminente do aedo: esse nome vem de aidós, que significa cantor (COLOMBANI, 2005, p.6) [ii].

[i] Além do canto, a recitação dos poemas era acompanhada da dança. “A dança, assim como os cantos votivos, fazia parte da experiência grega de associação com as divindades” (MORAES, 2009, p.48).

“Através de negociações, os aedos ajudavam a consolidar o poder das elites palacianas, informando através das récitas a supremacia dos heróis e reis gregos nas áreas ocupadas; como contrapartida, os aristocratas sustentavam o estilo de vida luxuoso e o aprimoramento profissional daqueles que decidem, através da lembrança e do esquecimento, a imortalidade na memória dos homens” (MORAES, 2009, p.97).

“Mesmo que suas qualidades fossem inigualáveis, dificilmente teria conquistado a tão almejada fama se não tivesse se esforçado para fazer valer os desejos e divulgar os valores de uma classe social tão ciente de seus poderes e privilégios” (ibidem, p.136).

“Mas para que a honra heróica permaneça viva no seio de uma civilização, para que todo o sistema de valores permaneça marcado pelo seu selo, é preciso que a função poética, mais do que objeto de divertimento, tenha conservado um papel de educação e formação, que por ela e nela se transmita, se ensine ,se atualize na alma de cada um este conjunto de saberes, crenças, atitudes, valores de que é feita uma cultura”( VERNANT, 1989, p.42).

“as récitas dos aedos transcendiam sua função social de divertir e alegrar os banquetes: eram igualmente importantes pelo seu caráter informativo, permitindo que os diversos povos da Grécia tomassem conhecimento dos eventos que ocorriam no Egeu e além” (MORAES, 2009, p.74–75).

Quando descobri esta palavra e tudo que "girava" em torno, aprofundava e ecoava por ela, fiquei encantada. Minha imaginação voava, imaginava.

Parecia que havia descoberto um tesouro, algo que trazia muito sentido, ao "lugar de ser artista" e seu importantíssimo papel político, dentro de um grupo social.

A Grécia Antiga é uma das nossas bases epistemológica do pensar, a vida vista como saga, de elevação da existência nas conversas com deuses e deusas e de nos sentirmos filhos deles. Nosso acesso a outros saberes ancestrais, fora apagado nesta construção de ocidente.

Foto de Edson Kumasaka — Arte Vania Abreu

Enfim, comecei a pesquisar, e cada vez mais, parecia ser mais interessante trazer de volta essa "lembrança". Me inspirou tanto que ganhou o título do meu livro, em processo de amadurecimento e ganha espaço, aqui neste blog. Estes trechos acima foram retirados, de um desses trabalhos que tive acesso e estudei. Neste caso, o trabalho é "O PAPEL DO AEDO E DE SUAS OBRAS PARA O ESTUDO DA SOCIEDADE GREGA" de Bruna Moraes da Silva.

Vou deixar assim, esses recortes, pitadas de sal deste tema e uma foto minha feita por Edson Kumasaka, que eu mesma brinquei virtualmente, com este lugar de deusa ou em conversa com ela. A propósito, os aedos antes de iniciarem suas apresentações convocam a musa, assim como, Homero faz em a Ilíada e na Odisséia.

Qual musa você convoca para lhe trazer a memória o que é inesquecível?

cantora. Vive recolhendo detalhes para pensar — cantos, palavras dançam. Autora do Livro Eu e Meu lugar - coleção Eu vim da Bahia pela editora Caramurê

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