Série Aedos. Texto 12. Nos Bastidores da intuição, da inspiração com motivação.

É pelo repertório que começa para mim o conteúdo de um show, de uma live, de um álbum, de um sentido. É a canção que determina todas as imagens seguintes, para mim. E daí a formação do repertório segue e fixa esse conteúdo.

Antes, lá no começo era canção por canção. Cada uma por sí só. E ainda é, mas hoje (já faz um bom tempo) tem que ser mais. Tem que ser a reunião delas e a direção, ou melhor, o porque da reunião delas.

Não sou intérprete de canções que escrevi e este lugar de ser compositor e cantor de sua própria obra legitima muito um repertório, pois tudo é "Lugar de fala, pensamento". Quando se trata de cantar, aí a escolha sugere um outro cuidado. Porque é falar a fala do outro e talvez não exatamente a sua.

Somos parecidos mas não somos idênticos e muitas vezes uma canção vem dizendo tudo e numa frase apenas, muda o que seria para mim, ser eu. Ser intérprete é quase trabalho de atriz mas contém a criação de ser você mesma, pelo outro. Neste caso, o do compositor e aí coloque em plural e quantidade, compositores.

Quando vou reunindo, em gerúndio mesmo, uma lista de canções parece um quebra cabeças sem desenho pré-determinado anteriormente. É um encaixe para descobrir qual forma irá formar. E com isso, forma a forma vamos vendo a nós mesmos.

Um certo caos de anotações em diversos papéis, ideias que precisam ser anotadas da forma possível, onde for possível. E vira uma certa pilha de rascunhos, juntam-se livros, às vezes imagens recortadas, cartões. Parece mesmo uma colagem visual antes de musical.

Estou assim, montando um repertório, imenso por dentro e curto por fora, para uma apresentação muito íntima e pessoal.

Serão apenas 07 músicas. Que para mim fazem todo sentido estarem juntas.

Só elas.

Elas e palavras de Manoel de Barros, Sidarta Ribeiro. Talvez cheguem mais palavras, canções, imagens, recortes. Sinto e senti que estas peças, chamadas de conteúdo, podem levar inspiração. É assim mesmo, dela para ela.

E dessa já nasceram outras ideias. A inspiração ganhando forma, nasce a motivação. Ambas se alimentam pela intuição de que "isso" faça sentido ser dito e cantando para as pessoas, neste momento. Se tenho algo a oferecer, faz sentido aparecer. E ver antes, talvez seja imaginar o que só foi visto por nós mesmos com aquele desejo de que apareça para todos.

canta e escreve. Vive recolhendo detalhes para pensar — cantos, palavras dançam. Pensa e sente demais.

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