Foto de canto da minha casa.

Quem poderá ser chamado de selvagem?

Rede em casa. Cestos de palha para tanto e tantas coisas. Vasos de barro.

Orelha furada para usar brincos. Tomar banho todo dia, lavar os cabelos.

Colares e pinturas no rosto e pelo corpo. Vida sem desperdício.

Tamanduá, Siri, Carapicuíba, Mungunzá, Canjica, Morumbi, Anhembi, Ubatuba. Jacaré, Arara, Capivara, Urubu, Tucano, Cotia, Paca ou Tatu?

Caju, guaraná, açaí, tapioca.

Batata-doce, aipim, milho, pitanga, maracujá. Peteca. Paçoca. Pipoca. Amendoim. Tudo Tupi.

Alimentação sem açúcar branco, sem sal refinado, baseada em peixes, frutas colhidas no tempo, raízes, vegetais, comida variada e rica.

Vários estudos relatam os modos e costumes no processo de colonização vistos como "inferiores". E chegamos ao século XXI com a ciência branca e europeia comprovando o que os indígenas já sabiam e viviam.

É tanto que não cabe num texto, num livro.

Quantos saberes e sabores. Guardiões das florestas, rios, montanhas, faunas e floras. Sabedorias, ensinamentos, sociedades com culturas fabulosas, harmoniosas. Afetos e significados integrados de tribo, terras, vidas.

Tudo que é Brasileiro fala, vive e é um pouco Tupi. E isso deve ser muito celebrado, honrado.

Antes que seja tarde, é preciso corrigir a expressão de convivência pacífica, a noção de civilidade e do que é ser selvagem.

Respeitos, direitos, existências não podem depender da "aprovação do ocidente, do capital, do sistema que se autointitula racional" e está destruindo o planeta.

canta e escreve. Vive recolhendo detalhes para pensar — cantos, palavras dançam. Pensa e sente demais.

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