O HOMEM VITRUVIANO de Leonardo da Vinci

Proporções de desumanidades

Desde de 2018, já tenho acumulado desilusões políticas demais.

E, é claro acumulei muitas desilusões pessoais. Conheço várias pessoas que votaram neste número 17.

Confesso que estas pessoas, já não ocupavam lugar na lista de admiráveis.

Ainda que mantivéssemos uma relação cordial, tinha consciência das convicções que tinham e ainda tem.

O desprezo pelos nordestinos, a certeza de que indígenas são todos folgados que querem ganhar dinheiro com terras protegidas, a aparente civilidade que faz piada com gays, o machismo disfarçado de respeito pelo trabalho da mulher, a ideia fixa de que só algumas pessoas podem ocupar determinados lugares.

É esse o “pacote” fechado. Um combo de preconceitos. Todos eles juntos. Tudo foi dito e era (e ainda é) dito aos poucos, num churrasco, num encontro qualquer e com suspiro de racionalidade e superioridade, de quem nem queria discutir o que era tão certo, quanto a matemática financeira do invisível mercado.

Eu sabia que eles existiam. Eles estavam espalhados por todos os grupos, na família, entre conhecidos e outros bem próximos. Agora, eles sabem se reconhecer.

Usam as cores verde e amarelo, tem grupos na internet, dias de passeata e carreatas e acumulam juntos, todos os ódios e preconceitos da longa história da humanidade e podem juntos falar o que pensam, sem medo.

Carregam todos eles juntos, o racismo, o fascismo, o machismo, a xenofobia, a aporofobia, a misoginia, a homofobia, transfobia e o etnocentrismo. Peguei só nove da lista de 17 preconceitos.

Há doses maiores ou menores de cada ingrediente, mas é certo que há, no mínimo, um pouco de cada um, em todos.

O certo é que qualquer sociedade com graus civilizatórios aceitáveis, no século XXI reconhece que todos esses são desrespeitos inaceitáveis e crimes aos direitos humanos.

Cada um destes, já é por si só, causador de milhões de mortes na história, de profundos sofrimentos, da criação da desigualdade com e por maldade. Agora, imagine ter todos eles juntos! É o que temos fortalecido pelo Bolsonarismo.

Dos que conheço, apesar da discordância de um palavreado usado, uma decisão ali e aqui, o tal movimento-pacote parece ainda servir e muito aos interesses que eles dizem ter a devoção deles mesmo, que é ao do dinheiro. Alguns ainda tentam disfarçar o combo, mas creem no amargo gosto da crueldade, como civilizatório.

Entre este combo fechado de desumanidades, em maior e menor grau, e a devoção pelo dinheiro que tenta explicar a desumanidade que escolheram servir, fiz uma conta dos noves fora.

Sim, irei devolver o conceito usado de conta e racionalidade que dizem elevar o lugar deles, entre nós, os mortais humanos. Eles rejeitam humanas.

Antes, vou lembrar o conceito, “noves fora” trata-se de um teste de validade para um cálculo manual de somas, subtrações, divisões e multiplicações de números inteiros.

A regra do “noves fora” ou “prova dos nove” leva este nome pelo fato que os números 9 podem ser ignorados nas somas, já que eles são o mesmo que 0 quando do cálculo do resto da divisão por 9.

Na divisão, subtração e multiplicação a soma deu zero. E matematicamente falando é um zero à esquerda. Que dói mais ainda para eles, ser de esquerda.

São bem mais que nove pessoas. Talvez bem mais que 17 preconceitos.

Qual será a proporção aceitável de proporção de maldades numa pessoa?

Nota: Aporofobia é um neologismo inventado pela filósofa Adela Cortina, professora catedrática de Ética e Filosofia Política da Universidade de Valência. A palavra nos parece estranha, seja ortográfica, seja foneticamente, mas tem a proeza de nomear uma realidade nefasta e ignóbil.

O vocábulo, cunhada pela professora Adela e usado em diversos artigos, livros, entrevistas e palestras, é composto pela junção de dois diferentes termos, emprestados da língua grega, e se propõe a identificar uma fobia, um medo, uma patologia social que se manifesta na aversão a alguém que é percebido como portador de determinado atributo, origem, comportamento, aspecto ou traço, como são exemplos a homofobia, a islamofobia, a xenofobia. “Aporofobia”, do grego á-poros, sem recursos, indigente, pobre; e fobos, medo; refere-se ao medo, rejeição, hostilidade e repulsa às pessoas pobres e à pobreza

Fonte: https://www.justificando.com/2020/02/19/aporofobia-o-odio-aos-pobres-em-tempos-sombrios/

Proporções Para o Desenho Homem Vitruviano de Leonardo da Vinci (Pela Wikipédia)

O Homem Vitruviano é baseado numa famosa passagem do arquitecto/arquiteto romano Vitrúvio na sua série de dez livros intitulados de De Architectura, um tratado de arquitetura em que, no terceiro livro, ele descreve as proporções do corpo humano masculino:

O redescobrimento das proporções matemáticas do corpo humano no século XV por Leonardo e os outros é considerado uma das grandes realizações que conduzem ao Renascimento italiano.

O desenho também é considerado frequentemente como um símbolo da simetria básica do corpo humano e, por extensão, para o universo como um todo.

canta e escreve. Vive recolhendo detalhes para pensar — cantos, palavras dançam. Pensa e sente demais.

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