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Ontem, foi um “domingo” para mim.

Eu não gosto do formato, nem do destino que deram a este dia.

Domus de casa, dia de casa. Para quem é a casa?

Tem algo de muito cafona, de envelhecido no uso deste dia.

Alguns gastam o dia, sem fazer nada (geralmente os homens). Nada mesmo.

Ou em ressaca da noite do sábado ou num sofá jogado. Nada mesmo.

Meu “bode” não é com o não fazer nada, muito usado pela expressão “Il dolce far niente” dos italianos e sinônimo de aproveitar a vida.

Acho engraçado até que se imponha algo contra o…


Depois de uma apresentação ao vivo.

Tem algumas horas de adrenalina. Arrumação. Tirar maquiagem. Deixar o espaço, seja ele qual for. Retomar o seguimento do tempo, da vida antes e depois.

Algumas horas são necessárias para elaboração do que foi vivido.

Tudo pode ter sido programado, mas sempre há algo inesperado, novo.

E, é sempre inédito, cada show, cada lugar que estive “como artista”, como instrumento de levar alguma arte.

E dentro do inesperado esperado encontro tem muita energia, uma soma de cada um que chega e está ali, ao vivo, vivendo. Tudo isso é sentido.

E cada palavra, de…


Estou sem conseguir juntar lé com cré. Um monte de ideias, sensações, indignações, raivas, receios, dúvidas e muitas "tristezinhas" juntas.

Poderia chamar de pequenas tristezas, mas não são. São grandes neste país.

Todos os dias juntam tristezas e semana passada pesaram o ataque à creche na pequena cidade de Saudades, a partida de Paulo Gustavo, a Chacina ou como o estado costuma chamar de operação policial no Jacarezinho no Rio de Janeiro, o julgamento da morte de Tatiane Spitzner por um júri formado somente por homens, o caso do menino Henry e as certezas das maldades dos adultos que tinham…


BETH HOECKEL — Snooze — All collages are made with found paper (not created digitally)

Pelos meus planos está programada para o próximo dia 11 de maio, uma apresentação ou live pelo Instagram. Ainda não fiz “divulgação” nas redes, sequer tenho uma imagem para produzir um post e defini um horário. Penso em 19h, pelo sete.

Penso antes no profundo da imagem, que para mim é o repertório e sentido dele.

É com isso que crio ou direciono a criação de todo o “resto”.

Neste caso, apesar do profundo, não haverá cenário. Será em minha casa, certamente num canto bom para o som e luz, que eu e Xinho Rodrigues, meu baixista, estejamos em ângulo…


O HOMEM VITRUVIANO de Leonardo da Vinci

Desde de 2018, já tenho acumulado desilusões políticas demais.

E, é claro acumulei muitas desilusões pessoais. Conheço várias pessoas que votaram neste número 17.

Confesso que estas pessoas, já não ocupavam lugar na lista de admiráveis.

Ainda que mantivéssemos uma relação cordial, tinha consciência das convicções que tinham e ainda tem.

O desprezo pelos nordestinos, a certeza de que indígenas são todos folgados que querem ganhar dinheiro com terras protegidas, a aparente civilidade que faz piada com gays, o machismo disfarçado de respeito pelo trabalho da mulher, a ideia fixa de que só algumas pessoas podem ocupar determinados lugares.

É…


É pelo repertório que começa para mim o conteúdo de um show, de uma live, de um álbum, de um sentido. É a canção que determina todas as imagens seguintes, para mim. E daí a formação do repertório segue e fixa esse conteúdo.

Antes, lá no começo era canção por canção. Cada uma por sí só. E ainda é, mas hoje (já faz um bom tempo) tem que ser mais. Tem que ser a reunião delas e a direção, ou melhor, o porque da reunião delas.

Não sou intérprete de canções que escrevi e este lugar de ser compositor e…


Desde que surgiram as redes sociais sempre tenho conflitos com elas. Elas são cheias de contradições, como quase tudo que é bem humano, mas o ponto é o quanto elas trazem conflitos. Já há estudos e debates sérios, documentários como o Dilema das Redes, Privacidade Hackeada e outros que denunciam, alertam, mas é certo também que em tempos de pandemia tudo passa por elas.

Bom, meu dilema são alguns muitos.

Além dos conteúdos que passam por linguagem visual, há o tempo.

Em tempos de neoliberalismo e campanhas globais de “VAE” do empreendedorismo individual, os artistas estão mais do que nunca…


Dentro desta série e na sequência de ter escrito sobre o making of resolvi compartilhar um momento meu antes da realização.

Desde o começo da pandemia estamos suspensos entre o antes e o que seremos depois. Muita gente seguiu rapidamente a onda, quase sempre somos levados a seguir ondas. Eu confesso que não consigo seguir ondas e faz tempo. Cheguei à conclusão, tomando para mim como minha a frase de Manoel de Barros — "Tudo que não invento é falso".

Em 2020 fiz uma série de conversas abertas com escolhas que acreditei serem válidas pelo Instagram e duas curtas apresentações…


Foto de canto da minha casa.

Quem poderá ser chamado de selvagem?

Rede em casa. Cestos de palha para tanto e tantas coisas. Vasos de barro.

Orelha furada para usar brincos. Tomar banho todo dia, lavar os cabelos.

Colares e pinturas no rosto e pelo corpo. Vida sem desperdício.

Tamanduá, Siri, Carapicuíba, Mungunzá, Canjica, Morumbi, Anhembi, Ubatuba. Jacaré, Arara, Capivara, Urubu, Tucano, Cotia, Paca ou Tatu?

Caju, guaraná, açaí, tapioca.

Batata-doce, aipim, milho, pitanga, maracujá. Peteca. Paçoca. Pipoca. Amendoim. Tudo Tupi.

Alimentação sem açúcar branco, sem sal refinado, baseada em peixes, frutas colhidas no tempo, raízes, vegetais, comida variada e rica.

Vários estudos relatam os modos…


Esta série é bem direcionada ao mundo artístico, mas cabe tanto ao público, quanto aos que desejam ingressar ou já estão no caminho.

Eu entendo que o tal do "making of" sempre atraiu olhares e curiosidades, ainda mais no formato que tomou da e na indústria de entretenimento, contudo e sem desejar ser arrogante, acho que o que compartilho aqui, tem um valor de aprendizado muito especial. Não venho criar narrativas de mitificação, e sim, desmitificar para um novo reencantamento.

O making of é muitas vezes, mais do mesmo e isso aqui que busco e desejo compartilhar é antes do…

Vania Abreu Oficial

canta e escreve. Vive recolhendo detalhes para pensar — cantos, palavras dançam. Pensa e sente demais.

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